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Diálogo bobo escrito pro Laboratório de Rádio, sem maiores pretensões

- Foi você, não foi?
- Ahn... Como?
- Você, diabos! Você que arrumou aquela quizumba toda! Admite?
- Ah, tá. É, é. Eu mesmo. Mas fique claro, o que arrumei não foi... "quizumba" alguma.
- Sei. E o que que foi, então?
- Ué, não é óbvio?
- Não.
- Só tentei adiantar as coisas pro teu lado.
- Ah, Deus abençoe a sua generosidade...
-... Isso foi ironia, não foi?
- Foi.
- Ah, bobagem. Nem foi nada tão assim...
- Como???
- É! Afinal, já tava na hora de resolver isso. Como você não tomava atitude alguma, decidi agir por você.
- Ahh, que gentil da sua parte!
- Tá usando o tom irônico de novo.
- Claro!! Quem se lascou com essa tua invenção de moda fui EU!! Isso que você fez foi uma sacanagem das piores!! Se você pensa que pode entrar na minha vida e ir jogando tudo pro alto, fazendo o que você bem entende, já aviso que a coisa não é assim não! Comigo o buraco é mais embaixo, tá ouvindo?? Não sou mais uma criancinha pra você... EI!! Quer fazer o favor de voltar aqui??
- Pronto, pronto. Coca?
- Aceito, valeu. Tô com sede, já. E se você pensa que vai me dobrar desse jeito, mocinho, tá muito enganado!!
- Também tem batata-frita. Quer?
- Ah, maldito. Quero.
- E o que você ia dizendo?
- Nada, esquece. Amo você.

[Observação: essa é a versão original. Pra gravação, mudamos uma coisa ou outra, já que quem me fez o favorzão de ler comigo foi a Paty - e viu, irmã desnaturada? Eu te dou créditos! XD]

- Postado por: Lilly às 03:16 PM
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O rei que sonhava que era borboleta que sonhava que era rei...

Sonho estranho, o da noite passada.

Pra início de conversa, eu acordava - sim, dentro do sonho eu estava acordando. E, ainda por cima, fazendo um enorme esforço pra lembrar com o que eu tinha sonhado. Ao longo do dia onírico que eu pensava ser real, algumas coisas me traziam lembranças do tal sonho perdido, como o momento em que catei romãs de uma casa numa rua próxima; e as frutas estão lá, mesmo.
Resultado disso: custei a acordar, só mesmo com o barulho da minha mãe mexendo no armário. Caso contrário, ainda ia perder um bom tempo vivendo o meu dia de sonho completamente normal, correndo atrás de fragmentos de um outro sonho, que aconteceu dentro do primeiro.

... Daqui a pouco, descubro que nem escrevi esse post.
Não fora do Sonhar, pelo menos.

(Lucien, cataloga aí.)

- Postado por: Lilly às 03:52 PM
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Semana numa zona Além da Imaginação

Comecemos pelo domingo - afinal, é aí que a semana começa, não na segunda-feira, como insistimos em acreditar.

Dia começou agitado, com a previsão de reunião do Fun Anime. Pra quem passa cá e não conhece, um grupo que organiza eventos relacionados - adivinhe só - animes, mangás e adjacências. Eu bem diria que o link tá ali do lado, mas aparentemente o site tá com um probleminha. De qualquer forma, isso vai ser resolvido logo, portanto visitem!
(E eu aviso dos eventos aqui, caso alguém se interesse...)

Voltando à pauta... Tivemos a reunião, que atrasou um bocado e acabou saindo no play do meu prédio, graças à ameaça de chuva. Foi gostoso receber o povo aqui, mesmo não não tendo dado pra, sei lá, encomendar uns salgadinhos, comprar refrigerante... É raro eu receber alguma visita - morar no Limiar dá nisso -, dá gosto quando acontece.
Logo que terminamos, lá pelas 7 e qualquer coisa, saí voando daqui pro Downtown: cinema com o povo. No caso, Ana, Bia, Patrick e Russo - que é russo de verdade. Bom explicitar quem estava presente pra explicar a escolha do filme. No caso, Bia, Patrick e eu queríamos assistir O Grito. Mas a Ana e o Russo se recusavam terminantemente, e o menino da Sibéria insistia que devíamos assistir A Lenda do Tesouro Perdido, aquele pseudo-Indiana Jones com o Nicholas Cage.

Lado ruim do programa: o filme, como garanti várias vezes antes de comprarmos os ingressos, era uma bomba.

Lado bom do programa: poder exercer minha função natural como virginiana assumida e repetir que eu avisei milhões e milhões de vezes.

Mas conto esse caso todo aqui por uma razão; durante a sessão, perguntei algumas vezes pra Ana se eu estava com febre - do nada comecei a me sentir quente. Cheguei em casa ainda com a mesma sensação, mas sem nenhum sintoma estranho. Coloco o termômetro e, pasma, descubro que estou no alto de 39 gruas de febre. Sem explicação.
Dia seguinte, a febre volta a atacar, primeiro com brandos 37 graus e meio, depois 38 e cacetada. E aí, puft!, eu estava bem de novo. Ou quase.

Outros acontecimentos insólitos desses últimos dias?
Menina Miaka ("minya sobrinya", que também assina por aí como Akane e mais outras pencas de nicks) e seu irmão, menino Kei-kun (mais um escritor que eu devia matar), vieram cá pro Rio! Depois de 1 ano, 6 meses e 11 dias desde que conheci as criaturinhas, finalmente as encontrei de novo. E, céus, coisa boa ver vocês dois! Ficamos batendo papo direto das 4 da tarde até meia-noite, e só paramos porque os milicos estavam fechando o restaurante.

De resto, tudo bem normal, acho.
Estou me empenhando em escrever outra fanfic. Alguma coisa envolvendo Fushigi Yuugi e O Rouxinol - aquele conto de Andersen. E sim, Andersen outra vez.

Também baixou um santo aqui (acho que um Imperador de uma pseudo-China antiga) e comecei a escrever haikais.
Alguma hora posto aqui.

- Postado por: Lilly às 02:01 PM
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Ahoy!!



My pirate name is:


Black Anne Cash



Like anyone confronted with the harshness of robbery on the high seas, you can be pessimistic at times. You're musical, and you've got a certain style if not flair. You'll do just fine. Arr!

Get your own pirate name from fidius.org.


- Postado por: Lilly às 09:42 PM
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Metrossexualismo Heróico

- Que que é aquilo? A Mulher-Gato?

- Não, mamãe. É o Batman, mesmo.


- Postado por: Lilly às 08:45 PM
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Sobre A Pequena Vendedora de Fósforos

Bem, esse deveria ter sido meu post de Ano Novo.

Sabe, eu não queria fazer aquela coisa padrão, desejar tudo de bom pra todo mundo, dizer o que quero do ano... Sabia que pessoas que adoro iam fazer isso de forma muito mais criativa do que eu seria capaz de fazer, então deixei ao encargo delas.
(E não me decepcionei em nada - o que vale pro teu post eterno, dona Mari. XD)

A idéia?

Bem, pra início de conversa, o conto original de Andersen se passa na última noite do ano. Achei que podia ser uma boa pra "último post de 2004", bem como uma espécie de pseudo-presente - pra mim, não pra vocês que aturam meus textos.
E comecei a pensar no caso quando me lembrei que a menininha tem uma visão da avó,quando está congelando no frio. Do nada, me veio a idéia de que não era bem a avó quem ela deveria ver nesse momento... Acabei então reescrevendo o conto, acrescentando a participação de personagens. Já aviso: não são personagens meus. Eles pertencem ao mundo - ou o mundo pertence a eles?

(E mesmo todo mundo já tendo lido, eu não conto quem são. Sei lá, talvez seja surpresa pra alguém que apareça por aqui...)

AVISO IMPORTANTE: o conto precisou ser divido em 3 posts, graças à porcaria do limite de caracteres. Mas nem tá tão longo assim, juro.
(Adoraria se vocês tivessem paciência pra ler. Garanto, fiz com todo o amor.)

Sei que estou atrasada, mas mesmo assim: feliz 2005 para todos!
Que a Força e os Perpétuos estejam com vocês... XD

P.S.: Não postei nada besta nesse meio-tempo porque prometi pra mim mesma que nada entraria nesse blog antes desse conto. Espero que tenha sido um bom jeito de começar o ano!

- Postado por: Lilly às 11:10 PM
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A Pequena Vendedora de Fósforos - Parte 1

Resmungou, numa voz chorosa; o frio a acordara de mais um sonho bom. Não sabia bem do que tratara, lembrando apenas de vagas sensações sobre um belíssimo campo verde, brisa fresca e um atento céu noturno - sequer imaginava de onde vinha a idéia de uma noite sem estrelas capaz de observar, mas isso não era importante. Faltava-lhe não só tempo, como também disposição. Experimentara dormir um pouco antes de sair, numa tentativa de escapar da fome enquanto a neve não parasse de cair lá fora.

Cobriu o corpo franzino com blusa e saia de algodão gasto, jogando por cima do ombro os farrapos do que fora um xale da avó. Catou também os tamancos da mãe - imensos em seus pés mirrados - e, metendo um feixe de fósforos no bolso puído do avental, saiu para a rua, disposta a vendê-los.

Última noite, véspera de Ano-Novo. O clima das Festas não arrefecera em nada, e agora ainda era alimentado pelas comemorações do Natal, recém-deixadas para trás. A menina, contudo, sequer vira ceia. Esperava conseguir comprar algo especial para a passagem de ano, e seguia pelas vielas atrás de qualquer figura que pudesse estar interessada em comprar alguns dos seus fósforos.

Inútil.

Como temia, não havia ninguém por perto. As poucas pessoas que cruzavam seu caminho o faziam em passos largos, apressados, sem dar atenção à menina miúda a estender fósforos que agarrava com toda a firmeza que suas mãozinhas secas podiam ter. No muito, praguejavam ao esbarrar na criaturinha enfiada em trapos, espanando para longe aquela antítese da beleza dos festejos. Foi num encontrão desses que perdeu o equilíbrio, indo ao chão enquanto os tamancos voavam longe. Um moleque correu para roubar os calçados e, com a resistência da garota, só conseguiu afanar um pé antes de partir correndo. Vendo que o outro seria inútil sem o par, a pequena vendedora o largou pela calçada. Mesmo com os pés ardendo de frio, seguia em frente: sequer tinha outra opção, considerando o quão longe de casa já estava. Além do mais, não tinha coragem de voltar para casa com menos do que saíra; antes umas feridas nos cascos que uma nova surra.

Mais algum tempo e sentou-se numa esquina formada por duas casas. Sentia-se exausta, faminta e os ossos doíam - em especial os dos dedos magros. Os olhos se enchiam de lágrimas ao pensar no que o novo ano prometia, e a situação só fazia piorar quanto buscava desviar o pensamento: absolutamente tudo ao seu redor parecia fazer questão de denunciar o quão miserável era. Alguns poucos transeuntes em roupas finas corriam para suas casas confortáveis, prontos para aproveitar suas ceias fartas. E ela, nada. Só a promessa de frio, fome, e surras consecutivas.
Foi então que viu algumas crianças, todas mais ou menos da sua idade, saíndo num rompante pela porta logo ao seu lado. A cena durou muito pouco - correram, riram, ameaçaram fazer bolas de neve e foram tocadas para dentro por uma governanta gorducha -, mas foi o suficiente para que aquelas faces de querubim emolduradas em cachos luzentes fossem gravadas em seu coração. Naquele momento, quis mais do que nunca ser como um deles.

Percebeu que mais alguém sentava-se ali, e não soube dizer se sempre estivera naquele lugar ou se acabara de chegar. Distinguia apenas um doloroso vazio no peito, mil vezes pior que o no estômago. Os olhos fundos quase alcançavam a figura, quando foram desviados de seu caminho por uma voz que, mesmo sendo pouco mais que um sussurro rouco, soava imponente no silêncio da rua.

- Com licença, criança.

Uma mão branca de dedos finos e unhas bem-feitas aproximou-se e, antes que a menina pudesse esboçar qualquer reação, tomou-lhe um dos fósforos. Em um movimento ágil, riscou o palito na parede ao lado e acendeu o cigarro que agora levava à boca, de lábios corados.
Num misto de raiva, encanto e temerosa curiosidade, a criança observou a pessoa de pé à sua frente com atenção: sapatos de couro preto impecavelmente lustrosos, terno risca-de-giz, em tecido visivelmente caro, um pesado casaco cinzento adornado com peles. Rosto delicado, feito de porcelana, com um sorriso desdenhoso e olhos felinos, dourados. E ainda os cabelos negros, curtos à moda dos rapazes ricos.

- Isso não foi muito gentil com a menina, irmão-irmã...

A figura sentada ao seu lado se pronunciava, agora. A vendedora voltou-se depressa, descobrindo que a mulher, baixa e gorda, estava nua. Sua pele cinzenta, no entanto, parecia tão capaz de crispar-se sob o frio quanto a de um morto. Rasgava o lábio com um gancho preso a um anel que usava num dos dedos roliços, mas nem o fio de sangue que corria pelo rosto bochechudo parecia espantar a criança. O que lhe surpreendia era a tristeza contida no olhar pastoso daquela senhora; curiosamente, ela parecia tão familiar quanto sua própria mãe. Talvez um reflexo dela.

- Ah, meu bem, por favor. - Os olhos amarelos cintilaram, fascinantes. Curvou o corpo, erguendo o queixo da menina com as pontas dos dedos, fazendo com que ela olhasse para cima. Beijou-lhe a testa brevemente, e tal gesto assustou a criaturinha, que encolheu-se junto a um braço gorducho. - Não vai fazer qualquer diferença, de um jeito ou de outro. Hm. Com medo de mim, criança?

Os cabelos emaranhados sacudiram quando a pequena, depois de um largo silêncio, negou veementemente.

- Está sim. Mas isso é esperto, da sua parte. - Olhos escuros pareceram saltar nas órbitas fundas, trazendo um riso deliciosamente vulgar à cena.
- Pode ficar tranqüila, criança; eu não mordo. A menos que você queira, claro, mas não creio que este seja o caso... - Riu novamente, pousando as mãos no quadril e flexionando os joelhos com habilidade, aproximando seu sorriso tentador da orelha da menina. - Quer brincar?

-... Não me parece sensato, um jogo.

- Postado por: Lilly às 10:57 PM
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A Pequena Vendedora de Fósforos - Parte 2

A voz da mulher-cinza soou baixa e insegura, quase um guincho. Franziu as sobrancelhas grossas, o gancho fincado na carne. Mantinha um jeito vago, distante, como quem não vê qualquer importância em coisa alguma. A menina, por sua vez, acompanhava a tudo com toda a atenção que sua fome permitia. Tiritava de frio, e enxergar com clareza começava a se tornar difícil.

- Ah, às vezes você não parece minha irmã gêmea! - Gesticulou de forma teatralmente afetada, no riso desdenhoso que parecia ser costumeiro. - Ela já foi tão minha que é quase completamente sua... Que custa me divertir mais um pouco, enquanto algo de mim ainda resta nesse coraçãozinho? - Passou ao outro ouvido da garota, num murmúrio. - Diga-me, criança: o que você quer?

- Eu? - Perguntou num tom débil. Mesmo para seu espírito infantil, era difícil crer no que ocorria ali. Sua única prova de que aquilo era real: o estranho conforto. Sentia conhecer aquelas duas - ou dois, não tinha muita certeza - tão bem quanto a si própria.

- Quem mais? - O cavalheiro que parecia uma dama ergueu-se, brincando com a fumaça do cigarro. - Vejamos: está com frio, não está? Acenda um fósforo!

- E que importa isso, irmão-irmã? Sabe que uma chama como essa de nada adiantaria para aquecer essa criança. - Falava como se nada mais hovesse. Cada palavra sua fazia com que a neve fosse mais fria, o céu mais cinzento, o ar mais pesado. Feito o mau agouro que precede o fim, o vazio. - Muito menos agora...

Acendeu o fósforo.

Viu a pequena chama surgir e, subitamente, percebeu-se envolta por um calor impressionante. Não havia mais o palito: o que estava à sua frente era um grande fogão polido, com lustrosa base de cobre, assim como a coifa. O fogo ardia, confortável, mas pouco tempo levou até que tudo se apagasse.

E havia mais alguém ali - dessa vez uma garota, não muitos anos mais velha. Parecia ter a mesma vida que o fogo, como que uma ampliação da minúscula labareda, revivida em seus cabelos vermelhos, azuis, verdes, róseos, e mais todas as cores que a menina conseguia lembrar.

- Isso é quentinho, bom! Lembra aquela coisa-que-esqueci-o-nome, aquela que vem de noite e tem luzinha... - A garota de longos (e curtos) cabelos multicoloridos falou baixo, como se fosse consigo mesma.
Vestida com trajes que a menina só poderia classificar como trapos semelhantes aos seus, ajoelhou-se no chão frio, abraçando por trás os ombros magros da criança.

- Pela forma como fala, irmã, parecem estrelas. Mas, considerando que se trata de você, acho que devem ser vaga-lumes...

- Ah, é! Coisa assim... - Piscando o olho verde, abriu bem o azul.

- É, irmãzinha... Dessa vez, pelo menos, devo dizer que é bom tê-la aqui. - A dama vestida como um cavalheiro manifestou-se, fazendo um breve cafuné naquela que, aparentemente, era sua irmã mais nova. A reação da garota foi pouco mais que um calafrio, apertando depois o abraço.

Cada vez mais entregue à presença das três, a pequena vendedora deixou-se estar. Encolheu-se entre os braços brancos que a envolviam, a cabeça buscando apoio no ombro da matrona acomodada ao seu lado. Os olhos enevoados seguiam a única figura que estava de pé ali, acompanhando o som dos sapatos, que ecoava no chão de pedras.

- Tá dizendo que tá feliz de me ver? Ou só tá dizendo isso porque eu tô aqui e eu estando aqui você acha que tem que falar isso porque eu tô aqui? - A voz da mocinha roçou como borboletas no ouvido da menina, numa mistura de empolgação e distância. Ela nunca parecia estar completamente ali.

- Você está tornando as coisas mais divertidas, irmãzinha. É isso. - Olhos felinos estreitaram-se com um sorriso. - E acredite: eu não me daria ao trabalho de lhe fazer agrados.

- Nós já sabemos que isso não é do seu feitio, irmão-irmã... - A corpulenta figura murmurou de seu canto, o anel de gancho enroscando-se em mechas do cabelo ensebado da criança.

- Foi o que eu disse, não foi? - Voltou-se então para a menina, que parecia perder-se mais e mais a cada segundo. - Você ainda tem muitos fósforos, criança. Por que não arisca mais um? Eu sei que você quer...

E assim a menininha fez, enquanto dedos longos guiavam os seus, mão robusta tocava seu rosto, palavras aladas e coloridas invadiam sua mente.

Viu o fogo, ele fez sumir a parede. Enxergava a grande sala de jantar da casa, estava lá, aproveitando os aromas da ceia. Na mesa se estendia uma toalha branca feito a neve e, sobre ela, perdido em meio a travessas de arroz à grega e doces, um ganso assado fumegava, recheado de maçãs e ameixas pretas. Chegou mesmo a rir quando o ganso saltou da travessa e saiu banboleando em sua direção, faca e garfo fincados no peito. Mas tal como começara, a chama extinguiu-se.

Não hesitou em acender mais um, num movimento quase furioso: queria mais. O que viu foi uma belíssima árvore de Natal, repleta de presentes sob ela - todos endereçados à menina -, e milhares de velas cintilando. Outa vez, a visão se foi. No lugar do brilho das velas, o céu noturno, como que incrustado de diamantes.

Uma das pedras preciosas caiu.

- Minha vovó dizia que, quando uma alma sobe para o céu, uma estrela cai. Alguém está morrendo, então.


- Postado por: Lilly às 10:57 PM
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A Pequena Vendedora de Fósforos - Parte 3

- Bem, se você quiser dar uma volta comigo, mocinha, a gente conversa sobre o assunto.

A menina sempre ouviu da avó que os anjos eram as mais lindas criações de Deus.
Ou aquela moça era um deles, ou sua avó estava enganada.

- E isso aqui já é quase uma reunião de família ou o quê? - Por um instante, a pálida dama vestida inteiramente de negro - vestido longo de corte simples, casaco e botas, além de um belo pingente de prata - voltou sua atenção para as outras que lhe faziam companhia.

- Talvez possamos chamar de "festa das meninas". - A criatura de trejeitos andróginos falou num riso debochado, enquanto jogava no chão os restos do cigarro.

- Ah, por favor... - O riso da dama recém-chegada parecia abrir os céus. Não havia mais frio, só a graça contida no sorriso que parecia ser tanto de uma menina, quanto de uma mãe.

- Bem, por mim... Você sabe, não seria um problema. - Pisou no que restava do rolo de fumo.

Só tinha olhos para a moça de negro, agora. Como se a tivesse amado acima de tudo por toda a sua vida, e finalmente ela estivesse de volta. Queria abraçá-la, seguir com ela para onde quer que fosse - simplesmente não podia deixá-la.

- Meu assunto agora é com a mocinha aqui. - Rindo um riso maroto que anjo algum seria capaz de imitar, bagunçou os cabelos da menina, que pareceram curiosamente limpos. - Mas não pense que não vamos conversar sobre esse seu... "joguinho".

A mulher mais alta limitou-se a cruzar os braços e rir, dando de ombros.

- E então? - Apoiando as mãos nos joelhos, aproximou o rosto de porcelana. A criança perguntava-se se ela não seria uma boneca, a marca sob seu olho feito a lágrima do Pierrot que vira em uma vitrine. - Vamos embora?

Dois passos.

- Eu que morri, não é? - Não havia medo ou receio em sua voz. Apenas uma curiosidade natural, como a de quem sabe a resposta, só espera uma confirmação.

- Hm-hm. - Ergueu-se, e estendeu a mão à criatura mirrada ao seu lado. Conhecia seu trabalho, e sabia que palavra alguma era necessária.

A menina tomou a mão pálida entre as suas, agarrando-se àquele braço. Ainda lembrou-se de voltar-se e acenar para as três figuras que lhe fizeram companhia na última noite do ano: a mulher corpulenta já desaparecera, com tanta discrição quanto no momento em que chegara; aquela com ares masculinos já caminhava, os saltos de madeira ecoando, um rastro de fumaça ficando para trás; a garota, por sua vez, acenava entusiasticamente, rodeada por um espetáculo de borboletas e vaga-lumes, que de alguma forma pareciam ser parte de seu próprio corpo.

Agora não precisava de mais nada. Não importava o Ano Novo, o frio, a fartura, os farrapos. Bastava-lhe a luz cálida que parecia emanar da pele adoravelmente pálida da moça vestida de negro - uma personificação dos amores.

E veio o ruflar das asas.


- Postado por: Lilly às 10:56 PM
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Ho, ho, ho!

Bem, bem.

Eu queria ter terminado um conto pra colocar aqui. Nem era um conto de Natal nem nada, mas era uma bobagenzinha, já que não posto nada que preste aqui faz tempo.
(E fica a pergunta: quando eu postei algo que prestasse? Bah, não importa!)

Da mesma forma, eu queria ter feito um desenho feliz pra colocar no fotolog, qualquer coisa do gênero. Mas a correria não permitiu.

Correria? Que correria?

A pintura da sala. Tínhamos tirado os móveis do lugar no fim de Outubro e desde então estávamos esperando por um tempo pra fazer isso. Calhou de acontecer essa semana - de terça até ontem. Eu e minha mãe ficamos tão exaustas que até preferimos não sair de casa pra reunir com a família toda, melhor sossegar por aqui. Nessa, o clima de Natal foi pras cucuias.

... Ou era o que eu pensava.

Hoje, como naqueles milagres natalinos de filmes da Sessão da Tarde, fiz compras pra nossa ceiazinha, enquanto minha mãe arrumou a árvore de Natal. Céus, eu não imaginava que fosse ver esse pinheirinho artificial velho de guerra esse ano. Antes disso ainda, montamos o presépio... Agora ela está lá, preparando rabanadas. (E eu não preciso de nada na monha noite de Natal além de rabanadas.)

E eu?

Bem, eu tô aqui, enrolando e enrolando pra desejar um Natal muito mais que feliz pra todo mundo que me lê, e pra quem estiver perto desse povo que quero tão bem!
... E não é só o Natal, não. Espero que esse espírito se conserve, que a felicidade (ou os momentos felizes, que seja) não dure só um dia. Também que a força pra enfrentar problemas e desafios não falte. Nem sorrisos, abraços, beijos... todo o carinho, porque isso faz bem demais.

Em suma: tudo de bom pra quem me dá tudo de bom! ^^

P.S.: Como estávamos falando, Tuca, não resisti: ali está o emoticon. Tô esperando seu post sobre isso, aliás.
(E parabéns!)

- Postado por: Lilly às 06:36 PM
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Eroguro Nonsense Strikes Back

"Eroguro Kei: A palavra 'eroguro' é a contração adaptada para o japonês do inglês "erotic and grotesque" (erótico e grotesco). No EK [Eroguro Kei] a maquiagem é feita para deixar o músico com aparência mais feia, às vezes mais agressiva, e as roupas podem ser tanto trajes comuns, com camiseta ou terno, quanto algo um pouco mais elaborado, mas com discrição bem maior do que nos estilos Elegant Gothic e Kotekote, por exemplo. O estilo é originado do movimento cultural "Eroguro Nonsense", surgido no Japão no início do século XX."

Foi assim, no meio de uma conversa sobre as bizarrices do visual Kei, no J-Rock, que começou a história do Eroguro Nonsense na minha vida.

Afinal, como dito pelo menino Josh (querido moço-coisa lá do Sul):
"'Eroguro Nonsense'. E a gente com o nosso Romantismo. 'Caras Pintadas'. 'Diretas Já'... E eles têm o 'Eroguro Nonsense'."

... Tal idéia me rendeu uma longa crise de riso.

Mas a busca pelo Eroguro Nonsense não pára por aqui, não!
Estou pesquisando e, em breve, pretendo fazer aqui um longo post explicando as origens de um movimento cultural tão... peculiar. Já tenho a fonte, só preciso ter paciência para traduzir.

Aguardem e confiem!

(Eu te disse que precisava postar sobre isso, não disse? Só não imaginava que o estrago fosse ser tamanho.)

P.S.: E não, Paty. Malice Mizer não tá na onda do Eroguro Nonsense. Nem o Gackt - e é ele quem eu tô ouvindo, ultimamente. XD

- Postado por: Lilly às 04:28 PM
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Movimento Cultural Nipônico

Eroguro Nonsense.

(Algum dia eu explico. Ou não.)

- Postado por: Lilly às 11:46 PM
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Um adendo sobre a "Musa do Verão"

... Não é que mamãe goste das músicas do Felipe Dylon.

Ela gosta dele, acha que é um menino lindo, de ouro, bonzinho, etc.
Juro, não sei nem desde quando ela sabe da existência dessa criatura, muito menos quando foi que ela formou essa opinião!

E chega. Felipe Dylon não merece espaço no meu blog, diabos!

- Postado por: Lilly às 11:51 AM
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Vício

Gackt.

(Rendo-me.)

- Postado por: Lilly às 11:48 AM
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Revelações Dominicais

Mamãe gosta do Felipe Dylon.

... Trato de me suicidar agora, para não conviver com tamanha vergonha, ou mato minha mãe, lavando seu pecado com sangue?

(Sim, eu estou dramática.)

- Postado por: Lilly às 08:58 PM
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